DicasViagem

Um olhar para os espaços públicos

07/07/2016 — by Mariana Isnard Carneiro0

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Um olhar para os espaços públicos

07/07/2016 — by Mariana Isnard Carneiro0

Assim que chegamos em Cairns, na Austrália, as praças e os locais públicos chamaram a nossa atenção. Primeiro nós nos deparamos com uma grande piscina de água salgada para que as pessoas pudessem se refrescar do intenso calor, já que na praia não é possível se banhar, pelo risco de ataque de crocodilos.

Piscina Salgada

Parque infantil

Parque na sombra da árvore

Entretanto, sentimos a necessidade de chegar perto para tentar entender como funciona essa iniciativa. São construções com duas ou mais churrasqueiras elétricas (uma chapa), uma pia, uma bancada e uma cobertura. Próximo a elas, geralmente tem uma ou mais mesas com bancos. Com exceção de uma que estava um pouco manchada, todas as outras estavam perfeitamente limpas.

 Churrasqueira pública

No mesmo instante, veio à minha cabeça meu querido país e a dor de acreditar que estamos ainda tão distantes disso. No Brasil, até as churrasqueiras dos nossos próprios prédios, na qual pagamos condomínio, são cobradas e, junto à reserva, uma enorme lista de regras.

Mas por que precisa ser assim? O quão diferente nós somos? Será que um dia chegaremos lá? Afinal de contas, somos todos seres humanos, não é possível sermos tão diferentes assim. Essas questões ficaram martelado em minha cabeça e, observando e conhecendo um pouco mais a vida na Austrália, levantei algumas hipóteses.

Ocupação dos Espaços Públicos

Na Austrália, os espaços públicos são, de fato, ocupados por todos. São pontos de encontro entre casais, famílias, amigos ou mesmo um encontro consigo mesmo. Os locais são repletos de gramados e árvores que proporcionam sombras agradáveis. Vários passarinhos cantam e passeiam entre elas, trazendo ainda mais a natureza e um ritmo mais tranquilo.

Os locais são limpos e bem cuidados. Dá para perceber que todos fazem a sua parte: o governo cuida do gramado, das instalações (lixeiras…) e a sociedade também se responsabiliza pelo cuidado.

Parece haver um sentimento de pertencimento a esses locais, o que, consequentemente, te evoca uma responsabilidade, um afeto, um cuidado, um respeito pelo que é do coletivo – que é meu e que é também dos outros.

No Brasil, vivemos por muitos anos acreditando que os espaços públicos eram responsabilidades apenas do Estado. Faltou uma construção de um pensamento coletivo sobre o uso desses locais. Afinal, quem faz acontecer são as pessoas. De nada adianta o governo criar espaços bem equipados e a população não usufruir… ou degradar. É uma via de mão dupla. Até a segurança, que é uma das justificativas de não usufruirmos dos espaços públicos do Brasil, é melhorada só por ter a população presente. Na Austrália, por exemplo, quase não vimos policiais presentes nesses locais. Claro que a violência lá é bem menor, mas a população também proporciona segurança.

Estou a seis meses longe do Brasil, conhecendo vários modelos de ocupação dos espaços públicos. E me alegro toda vez que vejo no facebook meus amigos postarem fotos e textos sobre os espaços públicos do Brasil. A ocupação da Av. Paulista nos domingos, por exemplo, é um grande ganho da população. E um grito de que queremos ocupar as ruas. Queremos sair dos shoppings e de casa e pertencer a esta cidade, a este país. As pessoas que vão até ela e que levam seus filhos, estão dizendo que fazemos parte da cidade. Que queremos fazer uso consciente dos espaços públicos. Criar e recriar essa cultura, que por um grande tempo foi esquecida.

Outro grande exemplo de que estamos em um momento de reflexão e mudança, são algumas iniciativas que começam a ganhar mais força, como a criação de hortas comunitárias em praças de São Paulo, a utilização de praças e parques para a comemoração de aniversários, a ocupação dos CEUs nos finais de semana e férias escolares para lazer (que já acontece há vários anos) …  O wifi gratuito em algumas praças e parques também são um convite do poder público para a população.

E, para a minha surpresa, descobri que existem alguns parques em São Paulo que também disponibilizam churrasqueiras públicas, como o Parque do Carmo ou o Parque Piqueri. Ainda é uma oferta pequena comparada ao tamanho da cidade, mas é um ótimo começo.

Não considero que o exemplo da Austrália ou de outros países que tenho visitado, um modelo a ser seguido no Brasil. Cada lugar tem cultura, costumes, ideias e leis diferentes. Mas acredito que essa ocupação pode trazer muitas possibilidades de encontros. Possibilidades de repensar a cidade, de estarmos mais próximo do outro. De pensar junto, de criar junto, de construir uma forma que dê certo levando em consideração o contexto do Brasil e a singularidade dos brasileiros. Para que seja possível construirmos identidade com a nossa cidade. Para permitir sermos afetados por ela e sentirmos afeto por ela também.


Para saber mais sobre nossa viagem à Austrália:
Informações úteis para viajar de motorhome
Relocation Motorhome
2 dias em um barco na grande barreira de corais

Para saber mais sobre nossa viagem pelo mundo:
Por que daremos uma volta ao mundo?

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